Cobrar para contar, ou será para louvar?

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Manter uma postura de jamais cobrar cachês e de exercer o ministério de louvor e louvar ao Senhor sem corromper-se com o mercantilismo tão em voga na igreja é tarefa hercúlea a todos os que querem comportar-se à luz da Bíblia.

O tema – se devemos ou não cobrar cachês para louvar e consequentemente ingressos do povo – vem sendo discutido intensa e exaustivamente nos últimos anos com opiniões prós e contra de todos os que trabalham nessa área.

Alguns cantores e ministros de louvor não cobram cachês e recebem ofertas dadivosas das igrejas – uma raridade (levando-se em conta que pastores conferencistas recebem pequenas ofertas), enquanto outros cantores exigem cachês, quase sempre altos, para se apresentarem algures pelo Brasil.

Já ouvi que alguns cantores exigem o pagamento do cachê, em dinheiro, antes da apresentação, do contrário recusam-se apresentar-se diante da multidão que os espera. 

Vejamos alguns aspectos para o nosso estudo de hoje:

COBRAR EXISTE, MAS TAMBÉM EXISTE SERVOS DE DEUS HUMILDES DISPOSTOS A LOUVAR

Cobrar

Por outro lado sou testemunha de verdadeiras raridades no meio evangélico: homens simples, verdadeiros ministros de Deus que vivem de ofertas e da venda de seus produtos – o que os leva a andarem no fio da navalha. 

Se somos ministros de Jesus Cristo temos que espelhar-nos na vida daqueles que escreveram as primeiras páginas da história da igreja – Paulo, por exemplo, que não exigia para si além do que cobrisse suas imediatas necessidades. Jesus, que despiu-se de sua riqueza a favor dos pobres.

Veja o artigo: “Quais os caminhos para a adoração verdadeira?”

Se nem mesmo Lúcifer (nome que não existe no original bíblico, mas um nome latino), o portador de luz, conseguiu manter-se incólume num ambiente de intensa e brilhante santidade, imagine os ministros de Deus aqui nessa terra em que a corrupção grassa o mais santo dos ministérios.

“O sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura” (Ez 28.12) apresentou sinais de corruptibilidade no Empíreo, e deveria servir de exemplo a nós, ministros, que pregamos e cantamos em encontros de louvor e adoração.

A questão não é a cobrança de taxas para seminários de música, batalha espiritual, de casais, etc. – que poderiam ser evitadas se a igreja administrasse melhor seus recursos financeiros – mas a pressão econômica que exercem certos conferencistas.

Veja o artigo: “O que é importante no ministério de adoração?”

As igrejas deveriam precaver-se financeiramente e arcar com todas as despesas sem onerar os participantes, e todos poderiam assistir ou participar de nossos seminários com conferencistas vindos de fora. 

Ora, qualquer pessoa que paga ingressos para assistir a uma noite para louvar com alguém famoso, sabe que está pagando para ter direito a um show.

Às vezes o ministro de louvor ou conferencista, que não cobra cachê, nem sequer imagina que por trás de sua presença há um mercantilismo da igreja ou dos organizadores do programa.

POP START GOSPEL

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Em alguns casos, ao terminar o ‘’show’’ sai correndo e, cercado de seus seguranças livra-se de todos e corre para o hotel. Quarto, não se preocupa em se reunir com ministros de louvor e adoração nem com os pastores da cidade que organizam o evento com intuito de louvar.

Não consigo imaginar o apóstolo Paulo chegando à minha cidade cercada de seguranças, pregando durante a noite e saindo correndo pela manhã sem ao menos instruir os pastores da cidade.

Não consigo vê-lo fazendo exigências financeiras nem impondo regras que trouxessem benefícios apenas à ele, Timóteo, Silas e Lucas.

Veja o artigo: “O que agrada o coração do Senhor?”

Aliás, Paulo não se submetei-a tampouco ao mercantilismo das igrejas, preferindo seguir para aquela cidadezinha perdida do interior a fim de proclamar a palavra de Deus.

Os ministros de Deus, que pregamos sua palavra, que ministramos louvores nas igrejas e em congressos, que escrevemos livros (que é o meu caso), editamos cds e fitas, vivemos como se estivéssemos no fio da navalha, na corda bamba:

O menor descuido e incorremos no princípio de Lúcifer; cometemos os mesmos erros denunciados tão bem pelos profetas Isaías e Ezequiel:

Perdemos nossa santidade, somos afetados pela corruptibilidade, pelo mercantilismo, e pior, pelo orgulho! Depois, resta-nos ouvir a advertência de Deus: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes…” (Am 5.23).

O ESPÍRITO DE SHOW TOMOU CONTA DOS CULTOS

Louvar

Observando as ministrações pelo Brasil percebemos como o espírito de show tomou conta dos cultos, de como os negócios são mais importantes do que ficar ali junto à plataforma ou ao púlpito ministrando vida àqueles que vieram nos ouvir…

Apesar de alguns quererem “tocar nossas vestes” é dever de todo ministro de Cristo gastar-se a favor das vidas, ministrando-lhes cura, perdão, arrependimento e amor.

Depois de tantos anos de ministério posso relatar das inúmeras vezes em que famosos evangelistas chegam e saem, tomam a oferta e se vão sem sequer respeitar os obreiros de Deus na cidade.

Diria, sem ao menos levar em conta que ali existem homens de Deus que o respeitam e o admiram, e esperam dele um comportamento à altura de homem e ministro de Deus.

Veja o artigo: “O Rock é do diabo? / porque dizem que rock é do diabo?”

Nesse festival de desencontros, os pastores, também nos chocamos e criamos atritos, daí a premente necessidade de rever com a máxima urgência alguns critérios ou até mesmo criar parâmetros claros para definir de que forma os homens de Deus devem ministrar aos membros de nossas igrejas; sem jamais, é claro, desrespeitar o profeta para que possamos receber também o galardão de profeta!

CONCLUSÃO

O assunto é amplo e envolve um estudo minucioso, à luz da Bíblia, do certo e do errado, do que é bíblico e aceitável e daquilo que é inaceitável em nossos dias. Mas deixo aqui a plataforma de onde podemos partir em busca de soluções.

Pense nisso e siga em frente!

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